

O Budapeste-Bamako 2013 terminou no passado dia 9 de Fevereiro em Bissau, a capital da Guiné Bissau, a antiga ex-colonia Portuguesa. Os participantes percorreram quase 9000 quilómetros em pistas bastante complicadas desde que sairam de Budapeste. Em 2013 a meta deslocou-se de Bamako para outra capital começada com "B", e foi assim Bissau que acolheu o maior rali amador do Mundo.

O rali arrancou de Budapeste na Hungria 16 dias antes com uma divertida festa de máscaras na cerimónia de partida. Mais de 140 equipas de 35 países onde se incluia a Tuga4Africa de Portugal marcaram presença. 42 delas estavam inscritas na "versão de competição" do rali, enquanto as restantes estavam na muito mais relaxada categoria "Raid". Para começar um rali nada melhor do que uma curta etapa, de "apenas" 4000 quilómetros. Esta super maratona teve que ser concluida em 4 dias, terminando na cidade Marroquina de Tinerhir.
A competição foi exigente a partir do momento em que os participantes arrancaram. Na zona Oeste da Hungria encontraram tempestades de neve muito severas. "Nunca pensámos que tivéssemos que usar as pás de areia tão cedo na prova, mas isto é a natureza do "Bamako". Temos que estar preparados para tudo", disse o antigo participante do Dakar Mila Janacek, que passou horas a escavar na neve nas etapas Hungaras.

A equipa vencedora, aqui nas dunas da Mauritanea.
A competição neste evento faz-se pelo cumprimento de tarefas de navegção passando por checkpoints, que este ano estavam espalhados um pouco por toda a Europa em direcção a Genova. Aqui muitas equipas decidiram decidiram apanhar o Ferry rumo a Africa, mas muitas outras decidiram conduzir até Espanha para tentar ultrapassar as que embarcaram em Itália. As condições de tempo adverso continuaram a darmuitas dores de cabeça ás equipas, pois a neve voltou a aparecer no primeiro dia em África. "Nas zonas mais altas a estrada estava coberta com neve até á altura dos joelhos. Foi algo assustador em alguns momentos." disse Zoltan Csanyi que era uma das esperanças da edição deste ano.
Já na zona mais a sul Atlas, as equipas tiveram ainda que enfrentar mais algumas montanhas, desta vez as Sarhro Mountains, para poderem continuar o seu caminho até á cidade oásis de Zagora. As pistasestreitas nas montanhas, desertos rochosos e o primeiro vislumbre do Sahara fizeram parte deste dia. A pista estava coberta de rochas que arruinaram muitos pneus e chegaram mesmo a causar muitos danos emalguns carros. Os mecânicos em Zagora trabalharam dia e noite mas conseguiram resolver os problemas das carros dos participantes. O Budapeste Bamako é um rali de baixo orçamento, e por isso muitas equipas não têm assistência, confiando no trabalho dos mecânicos locais.

Na imagem os segundos classificados
O lider da prova, o Hungaro Csanyi teve que substituir a caixa de velocidades em Zagora, e isso custou-lhe preciosos pontos na corrida. O casal Ulrich, triplo vencedores deste evento ficaram assim na frente da edição de 2013 do BB, mas pela frente ainda estavam 4000 quilómetros de duros caminhos. Os seus compatriotas estreantes da equipa Eslovaca Knapek Motorsport seguiam logo atrás.
A corrida seguiu de oásis em oásis em Marrocos. Já na região do Sahara Ocidental a competição teve que ficar suspensa, quanto as etapas que haveriam de percorrer as antigas pistas do Dakar tiveram que ser canceladas devido a um exercicio militar em curso. O Exército Marroquino ordenou os organizadores que percorressem esta zona pelas estradas pavimentadas para evitar os problemas de segurança causados pelas recentes tensões no norte de Africa.
No dia de 2 de Fevereiro o rali entrou na Mauritanea, e foi recebido pelo Exercito daquele país, que acompanhou todo o evento com as mais altas medidas de segurança possiveis. O governo da Mauritanea sempre foi um grande entusiasta do rali, e desde que em 2008 o mesmo teve ser cancelado que dá todo o seu apoio para que o mesmo possa ser realizado no seu país. O Budapeste Bamako decidiu assim uma vez mais visitar aquele país, apesar da pressão internacional para não o fazer. "A segurança foi muito apertada este ano, porque queremos tomar conta do s nossos convidados. O Budapeste Bamako representa quase 7% do nosso turismo anual." disse Idoumou Abderahman, o director da Mauritanian Travel Association. Mais de 200 soldados e guardas armados vigiaram o Bivouac em Bou Lanor. Nestes dias não foram emitidas notícias em os participantes deram indicações da sua localização para que não fossem detectados pelos bandidos armados.

Seguiram-se as duas mais dificeis etapas. Das 42 equipas em competição, apenas 13 escolheram entrar nas etapas Bou Lanoar-Chinguetti e Chinguetti-Tidjikja. As restantes seguiram a na caravana Raid sem que isso significasse a sua desclassificação. A sua unica penalização foi não recolherem os pontos dessas etapas. E das 13, apenas 11 conseguiram chegar já na madrugada seguinte. A equipa Hungara Reddaposta Team porque ficou sem combustivel nas dunas. Pediram ajuda via satélite, e foram alcançados por uma equipa de apoio local ás 2 da manhã.
A etapa Chinguetti-Tidjikja foi dificl para pilotos e navegadores. Muitas equipas ficaram perdidas. Outras tiveram avarias e muitas passaram a noite no deserto. Apenas quatro equipas terminaram a especial dentro do tempo regulamentar. A equipa checa Subaru Racing e a Csanyi Team competaram a etapa, mas recorrendo a atalhos, o que ainda assim permitiu solidificar a sua posição na classificação. O Budapeste Bamako requer condução atenta e uma navegação muito precisa todos os dias. As etapas muito exigentes acabaram assim por ajudar as equipas mais experientes a subir na classificação. E este foi realmente um desses dias, pois enquanto um punhado deles terminou as especiais, outros tiveram que aguardar quase dois dias para serem retirados das areias. O Budapeste Bamako não tem "camiões" vassoura, por isso este trabalho é sempre feito por equipas de apoio locais.
Se a Mauritanea destruiu o corpo de condutor, já o Senegal destruiu a mente do navegador. Nos dois primeiros dias de etapas Senegalesas os organizadores não divulgaram quaisquer coordenadas GPS. As equipas tiveram que navegar com a ajuda de mapas em papel e perguntando aos habitantes locais por indicações. "Quisémos manter vivo o espirito das antigas expedições Africanas. Tem que se sair do carro e perguntar indicações a pessoas que nem sequer falam a nossa língua." disse Andrew G. Szabo. "O Senegal é um grande país, e as pessoas são realmente simpáticas." acrescentou.
O acidente mais complicado desta edição aconteceu na etapa Fette Fourou-Kedougou, a qualquer coisa como 65 quilómetros de Tambacunda. A equipa Team Malta capotou quando seguia bastante depressa numa estrada na savana. O condutor sofreu alguns danos fisicos tendo deslocado um ombro. Foi transportado para o Hospital de Tambacunda onde os médicos do rali conseguiram recolocar o ombro no lugar. A equipa voltou á corrida, com o seu Toyota aliviado do pára brisas e do capot do motor. Pelo seu espirito a organização deu-lhes um titulo: “I Won't Give Up As Long As You See Me In One Piece”
A corrida continuou entre macacos, porcos selvagens, hipópotamos e crocodilos proximo do parque Niokolo Koba National Park no Senegal. Depois as equipas continuaram até ao Unesco World Heritage Site em Bassari Country na região Sul do Senegal. As equipas Checa e Eslovacas lutavam entre si pelas posições, mas nem os Ulrichs nem Janacek/Strejc fizeram qualquer erro. Os Checos foram uma das apenas duas equipas que conseguiram encontrar uma passagem secreta do rio para a Gambia e ganharam valiosos pontos. Tratava-se de uma ponte que apenas é visivel na estação seca, pois durante o resto do ano está submersa tornado a sua travessia impossível.
No último dia alguns habitantes locais atacaram os últimos quatro carros no Bivouac em Canjufa, já na Guiné-Bissau, tentando roubar os mantimentos das equipas. "Tivémos que fugir da aldeia como nos filmes do Indiana Jones", disse Laszlo Vanyak condutor do autocarro da organização, um dos últimos a deixar o acampamento. Felizmente ninguém ficou ferido e nada foi roubado.

Dois dos participantes mais audazes, que conseguiram terminar o evento com dois Trabants, conhecidos pelo seu "temperalmental" motor a 2 tempos.
Dos 142 carros que arracaram em Budapeste, 89 alcançaram a linha de meta. Das 42 equipas na categoria de competição, apenas 8 completaram todos os desafios, enquanto as outras lutavam por se manter em prova e tentando apenas alcançar a linha de meta. Com 88682 quilómetros percorridos e 16 atrás de si, cada equipa que chegou a Bissau é considerada um vencedor. Embora o Budapeste Bamako 2013 tenha sido longo e exigente, muitas equipas estão já a fazer planos para 2014 baseados na experiencia de 2013, preparando-se para mais uma edição de uma das mais loucas corridas do mundo.
A dupla Mila Janacek/Jirka Strejc , da Républica Checa foram os primeiros no seu Subaru Impreza 4x4. Os segundos classificados foram Juraj & Daniella Ulrich em Nissan Pathfinder. O terceiro lugar ficou para a Slovakian Knapek Motorsport de Knapek Matej em mais um Nissan Pathfinder.
Press Budapeste Bamako
Tradução e adaptação Todoterreno.pt