
Há muitos anos que não se via um Rally de Monte Carlo em condições tão difíceis como as deste ano. Os nevões caídos ainda antes do shakedown e a chuva forte do último dia fizeram a história dramática da 81ª edição da prova monegasca. A organização foi forçada a concluir o rali quando faltam ainda disputar os dois últimos troços. No SS16 a queda de alguns espectadores de uma encosta, da qual resultaram pernas partidas, levou à intervenção dos meios de assistência médica em pleno troço. Ao fim da tarde, início da noite houve um agravamento das condições climatéricas, fazendo muitos dos espectadores abandonar os troços mais cedo, o transito ficou caótico e era impossível colocar em pratica o plano de imergência em caso de algum incidente, sendo a organização obrigada a anular as duas especiais previstas para a noite de sábado, o SS17 que incluía a mítica passagem pelo Col du Turini e o SS18.
Apesar dos inúmeros sustos e de todas as armadilhas, Sébastien Loeb assumiu a liderança da prova na segunda classificativa, levando assim, o Citroën DS3 WRC até final sem um arranhão. Arrecadando para si a primeira vitória de 2013, a sétima no Rally de Monte Carlo e a 77ª da sua carreira. O francês da Citroën superiorizou-se a Sébastien Ogier em 1:39.9s, mesmo sendo segundo e estreado o novo Volkswagen Polo R WRC, Ogier brilhou, venceu duas classificativas, mostrando que a nova coqueluche do WRC era de se ter em conta para os ralis que se avizinham.
Dani Sordo no seu regresso à Citroën mostrou uma rápida adaptação ao DS3, carro que já conhecia mas, diz estar diferente desde 2010 a última vez que o conduziu. Sordo começou o rali com um terceiro tempo, lutando com Hirvonen até este se afundar algumas posições na geral. Sordo cometeu também pequenos erros, cedendo o terceiro posto da geral a Novikov, depois do russo vencer o SS6 e o SS7. O espanhol terminou o rali na terceira posição, após a desistência do russo, pois este arrancou a roda traseira esquerda do seu Fiesta RS WRC antes do primeiro km da SS14.
Precisamente na mesma árvore onde bateu Novikov, mas com mais violência Jari-Matti Latvala destruiu por completo o Polo R WRC, após o acidente Latvala disse: “a estrada estava apenas molhada da neve, o carro saiu de traseira e bateu muito fortemente na parede, muito decepcionante para a equipa”.
Sébastien Loeb no final da SS14 referiu-se à mesma da seguinte forma: “foi uma especial de m****, as condições eram terríveis, havia sopa de neve por toda a parte, andei em algumas zonas em linha recta a 30km/h, mais era impossível!”.
Malcolm Wilson tão depressa não vai esquecer esta especial tão madrasta para as hostes da Qatar M-Sport World Rally Team que tinha o seu auge no Col du Turini, pois lá perdeu dois dos seus homens, Evgeny Novikov e Juho Hanninen, já Mads Ostberg na segunda passagem por este troço deu um toque e danificou uma das rodas, perde mais de cinco minutos, caindo para sexto da geral posição onde terminou. O azar de Ostberg fez com que Bryan Bouffier ascendesse ao quinto posto da geral, naquela que foi uma boa estreia aos comandos do DS3 WRC, na qual se inclui a vitória na especial mais difícil de todo rali (SS14) e onde deixou a +29.1s Ostberg e a +52.7s Sébastien Loeb.
O sétimo classificado foi Martin Prokop que disse no final da passagem pelo Turini: “condições de loucos com muitos pilotos fora de prova ao longo do troço, espero conseguir terminar em segurança, esta foi a primeira vez que fiz uma especial com o carro em modo de estrada”.
Em oitavo aparece Wiegand num Skoda Fabia S2000, o melhor dos WRC2, o nono e segundo na WRC2 foi Olivier Burri tripulando um Peugeot 207 S2000. A fechar o top-ten Michael Kosciuszko com o problemático Mini JCW WRC assistido pela MotorSport Itália.
A próxima prova do WRC é o Rally da Suécia que se realiza entre os dias 7 e 10 de Fevereiro.

Texto: Bruno M. R. Alves/Todoterreno.pt
Foto: Citroën Total Abu Dhabi WRT