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Lucas Moraes: “É preciso arriscar para conquistar grandes feitos”

Lucas Moraes: “É preciso arriscar para conquistar grandes feitos”

Lucas Moraes tem estado nas notícias do rally-raid por duas razões nos últimos dias: porque é o novo Campeão do Mundo FIA e porque está de saída da Toyota Gazoo Racing W2RC para se juntar à Dacia Sandriders. O piloto brasileiro vai partilhar a nova equipa com nomes como Nasser Al-Attiyah, o mesmo que destronou recentemente do topo do W2RC. Moraes antecipa “uma enorme competitividade, dentro e fora da equipa”, mas garante estar pronto para o desafio.


Lucas, comecemos pelo título mundial. Já conseguiste assimilá-lo?

“É difícil acreditar, para ser sincero. A época não começou como queríamos no Dakar, mas mantivemos o foco e conseguimos quatro pódios consecutivos. Vencer o Campeonato do Mundo foi o resultado de consistência, trabalho de equipa e nunca desistir — mesmo nos momentos mais complicados. Agora, olhando para trás, parece que tudo o que aconteceu fazia parte da história que tinha de ser escrita assim. Foi simplesmente perfeito.”


Disseste que ‘nem o melhor argumentista do mundo teria coragem de escrever um final assim’. Como viveste esse momento?

“Foi pura emoção. Vivi todos os sentimentos possíveis em meia hora — frustração e raiva por pensar que tínhamos perdido, e depois alegria total. Os últimos cinco quilómetros foram uma loucura, mas isso é o rally-raid: imprevisível até ao fim. Quando tudo terminou, pensei apenas: ‘Conseguimos… de alguma forma’. É o tipo de final que não se planeia — simplesmente acontece.”


A vitória no bp Ultimate Rally Raid Portugal foi decisiva para o título. Preferiste seguir o instinto a uma ordem de equipa. Como tomaste essa decisão?

“Foi um momento difícil, sem dúvida. Tenho total respeito pela equipa, tivemos uma excelente conversa depois e eles compreenderam. No fundo, senti que tinha de correr, porque ainda estava na luta pelo campeonato. Sempre acreditei que, enquanto houver uma hipótese de lutar, devo agarrá-la. Não foi contra ninguém — foi apenas fidelidade a mim próprio, e a Toyota percebeu isso, apoiando-me de forma incrível na última corrida em Marrocos.”


Conheces a célebre frase: ‘Se já não vais para a brecha que existe, deixas de ser piloto’. Foi isso que sentiste?

“Exatamente. Essa frase diz tudo. Se deixas de aproveitar as oportunidades, perdes o que te faz um verdadeiro piloto. Claro que, se já não estivesse na luta pelo título, teria sido diferente. Mas, como disse, ficou tudo bem e seguimos em frente.”


“Senna é uma enorme inspiração [...] Temos de continuar um legado”

Vimos muita emoção nas tuas vitórias, em Portugal e depois em Marrocos. De onde vem essa intensidade?

“Vem da paixão, de anos de trabalho e sacrifício. Quando finalmente ganhas a este nível, recordas tudo — as dificuldades, as dúvidas, as pessoas que te apoiaram. As emoções são verdadeiras porque sabes o quanto custou chegar até ali.”


Pilotos brasileiros como Ayrton Senna escreveram algumas das páginas mais bonitas do desporto motorizado. Ele é uma inspiração para ti?

“Sem dúvida. O Senna é uma enorme inspiração, não apenas pelo talento, mas pela mentalidade e intensidade. Para qualquer piloto brasileiro, ser mencionado ao lado do nome dele é algo especial. Lembra-me que temos de dar continuidade a um legado, e que correr é muito mais do que apenas ser rápido.”


A grande novidade da semana é a tua mudança para a Dacia Sandriders. Porquê esta escolha?

“A Toyota foi um capítulo incrível da minha carreira e estarei sempre grato pela oportunidade que me deram. Mas senti que era altura de um novo desafio — crescer, testar-me num ambiente diferente. A Dacia tem grandes ambições e o projeto entusiasmou-me desde o início. É o passo certo para o que quero alcançar a seguir. Cada grande mudança traz alguma incerteza, mas para conquistar grandes coisas é preciso arriscar. Aprendi que as maiores oportunidades surgem quando ainda não nos sentimos totalmente prontos. Vai exigir muito trabalho e dedicação, mas é aí que nascem os grandes avanços.”


“A competição será enorme, mas é isso que faz todos evoluírem”

Também vais ter um novo navegador, Dennis Zenz. Porquê essa escolha?

“Tive um ótimo período com o Armand, aprendi muito com ele e conquistámos bastante juntos. A decisão de correr com o Dennis baseou-se na disciplina, ética de trabalho e experiência que ele tem. Ligámo-nos rapidamente e acreditamos que ele pode trazer muito à nossa performance, sobretudo na consistência que é essencial para vencer um campeonato longo.”


Quais são as tuas expectativas para esta primeira temporada com a Dacia, num novo carro e com colegas como Sébastien Loeb e Nasser Al-Attiyah?

“Vai ser um ano enorme. Sei que a competição, dentro e fora da equipa, será intensa, mas é isso que faz todos progredirem. O objetivo é aprender rápido, adaptar-me ao novo carro e lutar por vitórias o quanto antes. Estamos prontos para isso.”


 

Fonte: W2RC/A.S.O.
Fotos: ImagensDesportivas 

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