Dakar 2026: Sanders quer repetir a vitória
Um nome destaca-se entre os favoritos ao título da 48.ª edição: o vencedor de 2025, Daniel Sanders, praticamente intocável ao longo da temporada, surge como principal candidato à revalidação do título, acompanhado por Luciano Benavides e pelo promissor Edgar Canet, na Red Bull KTM Factory Racing.
Do outro lado, a formação Monster Energy Honda HRC apresenta um bloco impressionante de talento comprovado: Tosha Schareina, Ricky Brabec, Adrien Van Beveren e Skyler Howes chegam sem complexos e com ambição de lutar pelo topo.
A Hero MotoSport, com Ross Branch e “Nacho” Cornejo, e a Sherco Rally Factory, com Bradley Cox e Lorenzo Santolino, tentarão entrar na luta pelo pódio de Rally GP e também pelo título de Rally 2. Nesta categoria, Tobias Ebster (Hero) e Harith Noah (Sherco) terão como principais rivais Michael Docherty (BAS World KTM Team), entre outros.
O histórico das últimas dez edições do Dakar oferece um retrato fiel da evolução recente da disciplina: o aparecimento de campeões sólidos vindos de novos continentes, o fim da hegemonia da KTM, um leque de candidatos ao título cada vez mais alargado e vitórias muito mais disputadas do que nos tempos de Despres–Coma. Neste período, seis pilotos levantaram o troféu, mas nenhum conseguiu vencer duas vezes seguidas. Daniel Sanders pode ser o mais bem preparado para quebrar essa barreira, desde que mantenha o nível demonstrado quando atingiu a plena maturidade desportiva — consolidada com o seu triunfo no passado mês de janeiro.
Depois de uma vitória clara num Dakar dominado de início ao fim, o australiano reforçou o seu estatuto com triunfos no Abu Dhabi Desert Challenge, no South African Safari Rally e no bp Ultimate Rally-Raid Portugal. Fechou o ano com o título de campeão do W2RC, graças ao segundo lugar no Rallye du Maroc. Com este conjunto de resultados impressionante, o piloto de Melbourne — apicultor nas horas vagas — chega à Arábia Saudita como líder natural da KTM e principal favorito. Caso o plano falhe, o construtor austríaco conta com dois colegas capazes do melhor: o ex-campeão mundial Luciano Benavides, à espera do salto para o pódio (4.º em 2025); e o jovem espanhol Edgar Canet, revelação que foi 8.º no seu ano de estreia, aos 19 anos, e já vencedor da categoria Rally 2 no W2RC.
No entanto, o deserto saudita não será uma passadeira vermelha para “Chucky”. O australiano sabe que a oposição mais feroz virá do acampamento Honda, composto por quatro pilotos experientes e já familiarizados com o pódio do Dakar. Ricky Brabec (campeão em 2020 e 2024) é o único em prova com hipóteses de um terceiro título, mas as atenções recaem sobretudo em Tosha Schareina, claramente pronto para dar o salto. O espanhol foi vice-campeão de Sanders no último Dakar e também no W2RC, sendo o único piloto a derrotá-lo em 2025, graças à vitória no Rallye du Maroc.
A Honda conta ainda com Adrien Van Beveren, terceiro nas duas últimas edições e determinado a chegar ao topo.
As duas equipas mais poderosas não impedem que os outsiders alimentem ambições altas. No ano passado, o antigo campeão mundial Ross Branch viu a sua corrida estragada por um abandono precoce, mas ele e “Nacho” Cornejo tentarão contrariar as previsões ao serviço da Hero. A Sherco segue o mesmo caminho, reforçando-se com o sul-africano Bradley Cox para fazer dupla com Santolino, numa tentativa clara de apontar ao pódio em Yanbu.
Hero e Sherco enfrentam um desafio duplo, cada uma delas com nomes importantes em Rally 2, de olhos postos na transição para a elite, agora que Edgar Canet sobe de estatuto. A marca indiana apostou em Tobias Ebster, que perseguiu o ritmo do catalão durante todo o ano e fechou o W2RC como vice-campeão, enquanto o vencedor de 2024, Harith Noah, manteve-se fiel aos franceses. A luta por este título de afirmação promete ser intensa, com destaque também para a BAS World KTM, que apresenta Michael Docherty, capaz de lutar por um Top 10 absoluto, além do esloveno Toni Mulec (13.º em 2025) e do polaco Konrad Dabrowski (16.º em 2025).
Fonte : Dakar / A.S.O.
© A.S.O./ Julien Delfosse/ DPPI






